Fotos comentadas

O João Batista Campanholi trabalhou comigo no INPE, na década de 70. Companheirão que reencontrei em Brasília e depois, ele foi para Natal, refugiou-se posteriormente perto de Capivari (SP) onde está até hoje.

Quando estávamos selecionando atores e atrizes (mesmo sem experiência) para compor o elenco artístico da então TV Universitária, colocamos um anúncio em uma tevê de Recife, que transmitia para Natal, chamando possíveis candidatos. A ideia era deixar o anúncio uma semana, para ver se aparecia alguém.  Como a chamada foi feita pelo Carlos Nunes, que à época era um dos galãs da primeira versão da novela Mulheres de Areia, só no primeiro dia tivemos 400 inscritos.  Suspendemos as chamadas e lá fui eu e o Campanholi entrevistar essas pessoas para selecionar 40. Claro, em um elenco não se tem só mocinhas e bandidos (rs) mas também pessoas com perfil para fazer papel de professor, de mãe etc.

Resumindo, deixamos 360 pessoas achando-se injustiçadas.

O melhor é que ao sairmos pela noite de Natal, éramos cercados de possíveis fãs. O Campanholi mentia que era o Gianfrancesco Guarnieri.  As mocinhas olhavam para mim, um ser estranho, e queriam saber que era eu e o JB respondia: “Esse é o grande diretor de novelas.”

Esse Campanholi!

 

 

Quando trabalhei no INPE, em São José dos Campos, vivenciei um dos melhores e mais criativos ambiente de trabalho. Décadas passadas e o grupo do Projeto SACI continua, em sua maioria, interligado, trocando e-mails, visitando-se.  Algumas pessoas já eram minhas amigas antes mesmo de lá chegar, como é o caso da Andrea Guaraciaba (à esquerda da foto) companheira de UnB, A Mary Lou Rebelo (à direita) foi amizade iniciada no INPE e solidificada ao correr dos tempos, A Ira, ao centro, confesso que a conheço mais pelas mensagens que envia ao grupo, nem por isso menos amiga. Agora, a máquina de escrever ao centro me aviva tantas lembranças, pois sou um daqueles que têm diploma de datiografia pendurado na parede. E como dói…

 

 

Escrever para crianças e jovens é ofício que comecei a exercitar quando fui trabalhar no Projeto SACI/INPE, escrevendo programas educativos para esse público, em módulos de educação a distância veiculados por rádio e televisão.

Após isso, comecei a publicar livros infantis e juvenis e,  por diversas vezes, fiz o papel de júri em literários, julgando trabalhos feitos por crianças e jovens ou para esse público, como nos últimos três concursos de literatura do SESC.

Na foto, em meio a crianças, pais e educadores quando da entrega de prêmios de um concurso de contos e poesias com a participação do público infantil e juvenil, na Biblioteca Demonstrativa de Brasília.

 

 

Vim para Brasília com a cidade em construção e a avenida W-3 Sul ainda era de terra. As primeiras casas inauguradas no Plano Piloto foram as construídas pela Fundação da Casa Popular, onde meu pai trabalhava como responsável pelo gerador de energia, o que lhe deu o direito de comprar uma dessas casas por meio de um financiamento especial. 

A quadra era a 31, hoje 711 Sul e a casa sem nenhuma grande à entrada. Um improvisado gramado separava cada bloco de casas conjugadas da fileira em frente. Numa dessas casas vizinhas morava o jornalista e escritor Clemente Luz, com seus três filhos.

Olho esta foto lembrando-me daquele tempo em que eu, com 1.75 de altura, pesava pouco mais de 45 quilos. Filé de borboleta e esqueleto humano foram alguns dos apelidos que tinha àquela época. Um tempo  que, como dizia o saudoso Ataulfo Alves em uma de suas melhores canções, eu era feliz e não sabia.

 

 

 Minha avó Joana Gebrim, vinda ainda menina da Síria, morando inicialmente em Formosa e depois em Anápolis, onde viveu até o fim da vida. Foi minha madrinha e o destino quis que no dia de sua morte eu, embora morando em outra cidade à época, estive perto dela. Uma visita provocada por uma inexplicável vontade de ir visitá-la justo naquele final de semana.

Lembranças de sua comida, de sua maneira de raiar (chamar a atenção) e
depois rir. Sempre tinha balas em um bolso central de seus vestidos, sempre
azuis ou pretos. Ficou viúva com sete filhos para criar e os criou lavando
roupas, vendendo sabão caseiro que fabricava no quintal da casa.

Tinha também o dom de benzer, tirar quebranto e outros males.
Muitas vezes presenciei médicos levando seus filhos para minha avó Joana
(Hani) benzer.

Essa minha santa avó Joana é sempre uma luz que indica caminhos. Em momentos aflitivos, fecho os olhos e tenho a impressão que ela continua fazendo suas orações por mim, naquela sua característica maneira de falar que misturava o árabe com o português.

Bença, vó!

 

 

Durante os oito anos que trabalhei no Sebrae Nacional, principalmente nas Edições Sebrae e Oscar Ferreira da Silva Júnior foi sempre companheiro, amigo. Fizemos juntos, a serviço, inúmeras viagens pelo Brasil e compartilhamos de muitas realizações, dificuldades e alegrias, dentro e fora do ambiente de trabalho.

Hoje o Oscar está no consulado do Brasil em Miami e quando volta a Brasília, sempre encontra um tempinho para, ao menos, uma cerveja.

Temos uma divergência futebolística: ele é Botafogo e eu sou Flamengo, o que nos proporciona a saudável trocas de farpas e gozações.

Ao receber esta foto dele com o ator Andy Garcia não tive dúvidas em postar aqui.

Irmão do cineasta Paulo Sérgio Almeida, Oscar é um aficcionado por cinema. Certamente sua vida daria um filme.

Se fosse ator, seria um canastrão. Mais que amigo, é um amigão.


5 Respostas para “Fotos comentadas

  1. Olá primo!

    Já dei uma olhada básica no sei blog. Postagens divertidas. Gostei muito. Vou dar uma olhada melhor depois. Você escreve sobre Jazz? Me mande o link da postagem.

    Muito boa essa postagem/homenagem se referindo à nossa avó.
    Me lembro do lado comédia dela. Devido à saúde mental, ela protagonizava situações hilárias. Quando chegávamos à casa dela éramos recebidos com um comentário (na surdina) para a tia Marieta: “Marieta, esse povo acha que aqui é pensão? Quando meu povo de Brasília chegar, onde eles vão ficar???” kkkkk
    E o “povo de Brasília éramos nós”… kkkk. Claro que ela falava no “português” ao modo dela. Certa vez, na hora de dormir, tia Marieta procurou a coberta. Revirou a casa toda e nada. Desistiu e foi à geladeira pegar água… o que ela encontrou lá???? kkkkkkk.
    Uma vez, durante um temporada em que ela passou conosco em Brasília, eu, ainda criança, brincava com um pneu, conduzindo-o com 2 cabos de vassoura. Ela não gostava disso, ma eu, pra atentá-la, tirava “uns fino” bem perto dela. Ela me xingava no idioma dela. Mas, numa dessas manobras, calculei mal a distância e ela sacou da bengala e “esquentou” minhas costas… kkkkk. Ela foi uma mulher marcante… kkk. Claro, também de muitas outras formas.
    Saudades, Dona Joana Gebrim.

    Quando tenho tempo, escrevo umas bobagens sobre música.
    Ontem eu escrevi uma nota no Facebook. Dá uma olhadinha e senta a ripa.
    http://www.facebook.com/notes/carlos-gebrim/roberto-carlos/2150866725695

    Fazendo uma referência à postagem da casa da W-3 Sul, lhe envio um link de uma foto do Orkut da Raquel. É uma foto da Raquel e da Ruth tirada em frente a essa casa (ou nas proximidades).

    http://www.orkut.com.br/Main#AlbumZoom?gwt=1&uid=12820890977621712057&aid=1285351926&pid=1307025245645

    E já que nessa postagem você cita Ataulfo, vou embora citando ele também:

    Vou embora até loguinho
    Por favor não leve a mal
    Estou em cima da hora
    A barca deu o sinal .

    Abração!

    • Primo, agradeço pela sua visita. A foto que você indicou, tentei ver mas o acesso foi negado. Por que não a encaminha diretamente para meu e-mail?
      Sim, nossa saudosa vovó Joana sempre viverá em nossas lembranças por ter sido aquela pessoa maravilhosa a quem tanto amamos.

  2. VC me fez pensar na minha “nona”, que eu amei tanto.Mulheres bravas que enfretaram todos os problemas,:cultura diferente, lingua diferente, trabalho duro num pais que não era o seu..Mas, o fogão de lenha e a carne feita em panela de ferro,o bolo de fubá com torresmo, so ela fazia!Que lembranças deliciosas agora que ela se foi, e todos os seus filhos, inclusive minha mãe.Mas,minha nona ah! minha nona que grande mulher.Obrigada,Guido!

  3. Amigo Guido, lendo aqui, suas lembranças da avó Joana, lembrei-me também da minha, que por acaso se chamava Joana, como a tua… a minha era filha de espanhóis fugidos da fome, da guerra, das doenças , como muitos que se refugiaram nesse pais.
    As avós são sempre muito sábias, e carregam balinhas para os netos, a minha era o próprio doce melado da bala, mulher guerreira acostumada com a vida dificil, cozinhava no fogão á lenha, a comida tinha um saber diferente, tempero bom, e a vó Joana Garcia dominava essa arte como ninguém, arroz com batata, feijão com torresmo, cheiro de alho, cebola, pãozinho que só ela sabia fazer… bolo de fubá com café quentinho servido numa velha mesa com toalha xadrez, foto do falecido avô ficava em destaque numa cristaleira , ela pouco falava dele, não porque a memória falhava, mas porque ela não dividia mesmo essas lembranças.
    Sabe-se lá porque ela não falava do seu falecido marido Felipe, talvez faltasse as palavras, ou não gostasse mesmo de falar do passado…
    Depois de 30 anos ela foi ao encontro dele… que saudades da minha menina avó de tranças…

    Guido eu tenho certeza que sua avó escuta as suas preces.

    Parabens pelo seu blog, e grata por dividir sua belas lembranças…

    Bjs de sua amiga Mey

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