Hora de pegar no ganzé

Houve um tempo em que eu acompanhava, pela televisão, o desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro. Havia mais empolgação e menos tecnologia. Havia alegria espontânea brotando dos pés dos passistas, no repicar dos instrumentos de percussão da bateria. Mudaram-se os desfiles ou mudei eu?

Se não vejo mais desfiles carnavalescos pela tevê,mas continuo acompanhando o futebol, não só quando meu time joga. Gosto de ver também jogos de futebol de times de outros países, até porque sempre tem um jogador brasileiro em campo. Confesso que, quando vejo um jogo do Barcelona, me dá um orgulho danado, enquanto brasileiro, ao ouvir a torcida cantar o refrão da música do Zuzuca, Festa para um rei negro, enredo que deu à Escola de Samba do Salgueiro o primeiro lugar no desfile do Carnaval de 1971.

O refrão original da música é “Ô-lê-lê, ô-lá-lá,/Pega no ganzê,/Pega no ganzá… Ganhou uma versão da torcida do Barcelona, algo como: “Olelê, olalá, ser de Barça, es el mijor que hi ha” Segundo se sabe, os torcedores do time catalão acreditam que o refrão foi criado pela torcida, desconhecendo Zuzuza e a música carnavalesca feita por ele. Aliás, o autor da música, que completa 81 anos em 14 de agosto vindouro, queixa-se das falhas referentes ao recebimento de Direitos Autorais da música, tanto no Brasil como na Espanha. Mas o cantor e compositor se diz feliz e se emociona ao ouvir o refrão de sua musica entoado pelo mundo afora.

Zuzuca nasceu Adil de Paula, na mesma cidade capixaba de Roberto Carlos: Cachoeiro de Itapemirim. A música, desde há muito,  tem sido o seu ganha pão. Seu primeiro sucesso como compositor foi a música “Vem chegando a madrugada, gravada pelo Jair Rodrigues em 1966, música esta que deu notável impulso à carreira do  cantor: https://www.youtube.com/watch?v=MdoYuth3f8o

Ainda temos, como brasileiros, algo para sentir orgulho. Quando divulgou-se ao final do milênio que a música “Ô coisinha tão botinha do pai” acordava os astronautas de uma estação espacial, isso me deu um baita orgulho. Ao ver e ouvir a torcida do Barcelona entoando o refrão do “pega no ganzê, pega no ganzá”, isto também me alegre, por constatar a força de uma música criada por um brasileiro simples. Para elevar minha moral – creio que a sua também – que tal ouvir a velha guarda do Salgueiro cantando Festa para um rei negro? https://www.youtube.com/watch?v=2qvDJ9BXhA0

 

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3 Respostas para “Hora de pegar no ganzé

  1. Não sei em que carnaval foi , mas sei que cantei e muito essa marchinha..Em casa logico.Se ela e de depois de 77 eu e Luiz íamos na Avenida Rio Branco ver as escolas de samba e no baile matiné do Clube do Banco do Brasil , em frente á Lagoa Rodrigo de Freitas. com as crianças.O Clube é aqui no Leblon, onde ele sempre morou.Luis amava Carnaval.Eu fiz fantasia para minha filha todos os carnavais , ate os 10 anos. Poxa que bom que era….

  2. Sim, as paródias em cima de músicas conhecidas. Lembro-me de uma que fiz para a música Quanto riso, quanta alegria, mas de mil palhaços no salão. E eu concebi o horrível (rs) Quando Rinso, quanta alergia, mais de mil palhaças de aço no sabão.
    Obrigado, mais uma vez, pela visita e comentários.
    Abrações

  3. Me lembro dessa música de muitos carnavais atrás! A gente cantava no final dela: “Que beleza! A maconha que vem lá do Ceará” Pega no Ganzê, pega no Ganzá! Nunca esqueci dessa parte, mas não como era a verdadeira na marchinha… ML

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