Aqueles leves beijos

Aqueles leves beijos

A menção de beijo cinematográfico é uma indicação clara de que, nos últimos 100 anos, foi em cenas de filmes que muitos se inspiraram para beijar a pessoa amada ou se emocionaram com beijos entre personagens. Muitos filmes são lembrados muito mais pelas cenas marcantes de beijos do que pelo enredo em si. Como não lembrar, no filme Casablanca, a cena de beijo entre os personagens de Humphrey Bogart e Ingrid Bergman? Embora a cena de beijo mais lembrada pelos cinéfilos, em termos de beijo, seja a cena protagonizada por Burt Lancaster e Deborah Kerr em uma praia, no filme A um passo da eternidade, de 1953. Aliás, são dois beijos, um em que os dois são alcançados por uma onda e o segundo, os dois já na areia.

Beijos cinematográficos são recorrentes em quaisquer discussões sobre cinema e tema exaustivamente tratado em teses, no âmbito acadêmico. Para Mauro Pommer, jornalista e coordenador do curso de cinema da UFSC, “O beijo carrega consigo uma “confissão de verdade”, uma visibilidade indisfarçável. Pois até mesmo um beijo fake ou técnico, como dizem os atores, traz à cena certo realismo associado à “noção de ritualidade, de estetização da cena, para quem experimenta ou testemunha a situação”. Para os que são apenas apreciador de cinema, como é meu caso, beijos cinematográficos se destacam e são lembrados por circunstâncias variadas. Como não lembrar dos beijos dados pela atriz por quem, platonicamente, se é apaixonado, principalmente quando jovem sonhador? Eu me lembro de que era encantado pela Carol Lynley, procurando ver todos os filmes em que ela trabalhou, embora não me lembre de nenhum beijo cinematográfico dado por ela. Mas a beijei em meus sonhos juvenis, confesso.

Quem inventou o beijo não patenteou sua invenção, mas sabe-se que os mais antigos relatos sobre o beijo remontam a 2500 a.C., registros presentes nas paredes dos templos de Khajuraho, na Índia. Meu palpite é que o beijo é bem mais antigo, por ser instintivo. Sei que 13 de abril é o Dia Internacional do Beijo, mas é comemorado todos os dias, minutos e segundos do dia, em todos os recantos do mundo, mesmo sem serem filmados. Considerado como ultrajante e escandaloso à época, o primeiro beijo do cinema data de 1896, registrado em um filme de apenas 47 segundos, produzido pelos estúdios de Thomas Edison. Um beijo que, para os padrões de hoje, é totalmente desagradável de ser visto. Se quiser conferir este beijo – e outros tidos como ícones do cinema, acesse o site: http://colunas.revistaepoca.globo.com/menteaberta/2012/06/12/os-10-beijos-mais-famosos-do-cinema/

Muito citado, o beijo proporcionado por Rachel McAdams e Noam Cakhoun no filme Diário de uma paixão, de 2004. Um beijo na chuva, molhado, intenso. Um beijo de reencontro por quem ama e que passou alguns anos separados um do outro. Mas para mim, em filmes mais recentes, um beijo marcante ocorreu no filme O fabuloso destino de Amélie Poulin, interpretado pela marcante Audrey Tauton. O que destaca o beijo desse filme não tem nada de impetuoso, de tórrido. A personagem Amélie engendra uma lúdica trajetória para que Nino (Mathieu Kassovitz) a encontre. Eles se amam antes de se conhecerem pessoalmente. Eis que ao final, após a lúdica brincadeira de buscas e encontros, estão frente à frente. E vem o beijo, também um ritual, Beijos que buscam a boca mas que pousam no rosto, explorando antecipadamente o que será o beijo que virá. Ah, beijos leves, estrategicamente periféricos. Por isso, em minha lista dos 10 mais marcantes beijos cinematográficos de todos os tempos, essa cena de beijo estará presente. Pela delicadeza, pelo inesperado, pelo que tem de forte através da leveza.

About these ads

2 Respostas para “Aqueles leves beijos

  1. Ainda sou tradicional,l e sempre me emociona o beijo, do Humpfhey e da Ingrid, ,até mais do que o beijo de A um passo da eternidade .Há uma ternura no HUmpfhey, que não existe no Burt. Mas, são tantos bons e românticos momentos , que os filmes nos apresentam, quanto mais românticos melhor>em Austrália, há vários momentos deliciosos.
    ..

  2. E que dizer da sequência de beijos espetaculares no filme Cinema Paradiso?!
    Há também aquele Blow Up que foi traduzido inexplicavelmente por “Depois daquele beijo” no Brasil? E o beijo da Lota (Gloria Pires) e Elizabeth Bishop em Flores Raras, com os olhinhos das corujas na montanha sendo iluminados como estrelas no céu pelos faróis do jipe? Linda e delicada cena, que nos faz lembrar mais do background do que propriamente do beijo entre duas mulheres. Ah, beijos cinematográficos, quantos beijos que povoam nossa memória!
    ML

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s